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O Barroco na América Portuguesa. Novos olhares

DESCARGA: https://www.upo.es/investiga/enredars/?page_id=1331 Todo livro é uma inquietação. Seja obra literária de ficção ou tese acadêmica, o ato de escrever pode ser defi nido como uma tentativa de racionalizar angústias ao transformar dúvidas em matéria compartilhada. A organização da coletânea O Barroco na América portuguesa: novos olhares é fruto de inúmeras conversas que nós, organizadores, tivemos ao longo dos anos. Nos conhecemos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), André ainda como aluno da graduação em História e Carla, como sua orientadora de Iniciação Científi ca e professora recém-contratada, que começava um projeto de pesquisa sobre as ruínas barrocas do aldeamento do Almagre1, experiência de orientação que se repetiria no mestrado de André na mesma instituição. Hoje colegas no exercício da docência em universidades federais, ela na UFPB, onde construiu sólida carreira, e ele, na Universidade de Brasília (UnB). Já se vão mais de quinze anos de diálogos e embates amorosos, especialmente sobre a seara que os une: os estudos sobre a arte barroca no Brasil. Pois então, cabe perguntar aqui, antes de o leitor chegar aos capítulos deste livro: o que é o Barroco? Afi nal o Barroco existe mesmo, nesses trópicos tupiniquins, como categoria analítica válida? Essas eram perguntas que sempre, invariavelmente, vinham à tona e ambos, Carla e André, em momento diferentes, recorríamos ao trabalho de Heinrich Wölffl in e, depois, Erwin Panofsky ou Walter Benjamin para explicar essa arte. Nada que o tempo e o aprofundamento de leituras compartilhadas não fossem capazes de alterar. Pouco a pouco começamos a perceber o incômodo de um conceito de Barroco que ao invés de explicar, arrevesava. A extrema dependência – e tributo – que tínhamos dos grandes suportes teóricos europeus sobre Barroco, como Wölffl in, Maravall, Tapié, D’Ors, Croce, Argan (!), o peso de todos eles, gigantes, assim imponentes, meio que atrapalhava o exercício mais profícuo da profi ssão de historiador, a base de qualquer pesquisa no ofício de Clio: a análise das fontes. Vejam bem, todos esses autores consagrados têm seu valor, devem ser lidos e podem ser utilizados. Os pesquisadores reunidos nesta coletânea o fi zeram em seus textos, demonstrando que conhecimento se constrói através do acúmulo e não da exclusão. Por exemplo, hoje temos especial atenção aos escritos de Aby Warburg e Aloïs Riegl, além de incorporar categorias da História Cultural e de historiadores como Ginzburg e Chartier. Todavia, o que alertamos é para o a sobreposição da teoria sobre a fonte. Se a teoria “soluciona” a fonte antes mesmo da análise, a obra se torna um mero exemplo, um artifício usado para corroborar préconceitos. Padronizam-se e perdem-se os signifi cados e vestígios do passado. O que propomos é o processo inverso: deixemos que a fonte crie o aporte teórico. Ela é o princípio, meio e fim. O leitor perceberá que os autores dos textos aqui reunidos possuem concepções por vezes diferentes de como lidar com a arte na América portuguesa, ora atentando para aspectos formalistas, ora aproximando-se de categorias europeias de classifi cação da arte, ou mesmo trabalhando com abordagens iconográfi cas e iconológicas, pensando essa arte dentro de uma rede de conexões transcontinentais. Todavia, todos se unem em torno do objeto de estudo: seja a pintura, o livro impresso, a escultura de sacrários, o traçado urbano, a arquitetura predial, o pressuposto analítico deste estudo se inicia no objeto concreto encontrado na América portuguesa. E é a partir deles, questionando-os em sua matriz produtiva, que os pesquisadores passam a construir uma nova perspectiva de como pensar essa arte “barroca” ou “rococó”, se é que é possível pensar nessa diferenciação nos trópicos. Liberta de conclusões pensadas no contexto europeu, a arte produzida na América portuguesa salta aos olhos em seus signifi cados e razões de existência nunca antes pensados nos estudos sobre imagética colonial portuguesa nos trópicos. Perspectiva que João Adolfo Hansen já aventava em seus trabalhos, ao defender a completa inadequação do uso do termo “barroco” para a arte na América portuguesa. Se o autor prima ao questionar o porquê do uso de categorias inadequadas – e supostamente “anacrônicas” – para a nossa realidade, propondo extirpar a palavra “Barroco” dos estudos imagéticos, nós não pretendemos ir tão longe. Para o bem ou para o mal, o termo Barroco é conhecido e identifi cado pela população brasileira. Trocá-lo por categorias linguísticas, por vezes quase incompreensíveis até mesmo para leitores já iniciados na arte, pode até ser uma boa ferramenta metodológica para chegar a uma análise mais precisa da obra, entretanto cremos que é hora de parar de escrever apenas para os pares e tentar um público mais amplo. Então, assumimos o título, mas desconstruímos o seu significado. A inquietação permanece afi nal, e permanecemos perguntando o que é esse tal Barroco, entretanto cremos que a proposição metodológica aqui entrelaçada nestes treze capítulos proporciona uma saída para o dilema, pois a resposta há tempos não habita no conceito, mas sim nas obras. Boa leitura, e mais perguntas, é o que desejamos ao leitor. (Presentación de los editores)

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